quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A palavra, a escrita..

Afinal, o que seria de mim sem a palavra? Sim, eu falo daquela que se escreve, desmascara e desatina, que exagera, enaltece e ilumina. Não qualquer palavra, aquela que precisa de ter a maledicência dos poetas, a esperança dos apaixonados, a imaginação esfuziante das crianças, a incomparável coragem dos soldados na frente em plena batalha. A palavra que sabe o momento exacto de se calar ou gritar explodindo-se em detalhes e exclamações. Aquela que sabe cuidar e proteger, mas que sabe quando é necessário apontar, denunciar, ser política e revolucionária. O que seríamos de nós sem ela, logo ela que nos alimenta de sonhos, que nos consola e nos conforta nas estações frias, chuvosas e solitárias? Posso dizer-vos que sem ela morreria por dentro, seria apenas um corpo sem alma vagueando por ai. A palavra é meu rio de saudade, meu oceano chamado solidão, nela desaguo as minhas lágrimas, nela mergulho o meu desconsolo entretido, me entrego e solidifico os meus pensamentos. E os sentimentos o que diriam? Desesperariam sem a presença dela, amante e adoçante de tantas noites intermináveis. Pois eu afirmo, sem as palavras eu morreria, seria um ser sem boca, sem olhos e ouvidos, seria um corpo sem vida.

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