Tenho sonhado contigo. Sim contigo. Não entendo porque é que o meu subconsciente insiste tantas vezes em vasculhar as minhas recordações, o nosso passado. Porque o lugar do passado é no passado. Logo tu que sabes ser meu amigo. Provavelmente não irei sonhar contigo hoje, pois não existe uma réstia de sono. Lembro-me muitas vezes de um sonho, que parecia real, quase como se o sonhasse várias vezes. Talvez se sonhasse mais vezes não me sentisse tão só. Como hoje. Sinto-me sozinha. Demasiado. De tal forma que quase me afogo em lágrimas e escuridão. Desassossego. Hoje há vazio em mim. Nem uma única borboleta ou borbulhar sobrou. No lugar ficou vazio. Apenas vazio. E um coração que outrora derretia um outro de tão quente, hoje tornou-se gelo. Gelo não... pedra. Uma pedra no lugar do coração.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Mãos dadas
Sinto-me um subúrbio de insegurança. Não consigo desprender-me do passado ou do futuro. Como se estivesse presa, morta. Não tento viver do presente. Não vejo nenhuma luz ao fundo do túnel e nem sinto as lágrimas brotarem mais. Os meus ossos comportam-se como se fossem de borracha e qualquer toque faz-me estremecer. Não me encontro em ninguém. Não vejo sinais no íntimo de nenhum corredor. Tiraram-me o prazer de abrir uma porta. Tudo é tão monótono. Tão automático. Eu gostava de viver uma ilusão, compartilhar das alegrias e não me sentir a cair em todos os sonhos que tenho. É tudo uma ilusão, meu amigo. E nós somos a mentira que vive despertando a queda de cada um. Mas ainda estamos aqui. Ainda estamos de mãos dadas. Em toda esta vida, tudo o que precisamos é de mãos dadas. Todos os meus medos, todas as minhas mentiras, tudo se desprende quando as nossas mãos estão dadas. Eu vomito penitências. Tento ser alguém, viver por alguém ou contar com alguém. Procuro companhia em saídas de quintas à noite. Mas nada disso me importa. As palavras assim que brotaram, caíram. Eu tentei desistir destes sonhos. Tentei não me importar. Mas tudo que eu gostava era ter as nossas mãos dadas de novo, juntas, vivas.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Seguir
Eu quero um pensamento do tamanho e do formato adequado a mim. Eu preciso de seguir em frente. Que ele seja repleto de coragem e de determinação. Que ocupe cada aresta, cada beiral e canto desocupado em mim. Que a confiança seja apenas o seu inicio e mais avante nele esteja estampada a destreza de amar sem medo. Que ele me inspire e faça saltar do meu peito palavras de luz e perseverança em todas as direcções. Um pensamento tão perfeito capaz de me fazer voar, bem alto, e entre as nuvens mostrar o segredo escondido de como é bom estar vivo. Podes até não me entender, mas é que, eu preciso de seguir em frente. Dúvidas? Elas existirão sempre. Mas nem elas sobreviverão à liberdade do amor incondicional. Amar por amar. Sim, meu caro, eu quero um pensamento completo, que depois de ocupar cada lacuna vaga ou esquecida de mim, faça dos meus olhos lanternas para o mundo com reflexos de optimismo. E que por onde quer que eu passe espalhe um exército de compaixão fuzilando preconceitos, radicalismos textuais, monocromáticos, religiosos ou radicais. Sim, eu quero cores de todas as tonalidades e sexualidades. Felicidade? Uma palavra que de tanto pertencer ao futuro agarrou-se aos sonhos tornando-se lembrança ou desejo, mas nunca parte de mim. Pois então, que este pensamento seja a tal felicidade. Eu quero pupilas bem grandes para ver tudo em 6D, dimensões paralelas ou convexas, tanto faz, mas que me tragam a paz e o sorriso de estar entre tantas possibilidades. Um pensamento que, com dedos longos e mãos ariscas, me faça rascunhar um beijo ou um simples aperto de mão na tela que se tornou tão espessa com tintas misturadas à terra de tantos caminhos e jornadas inúteis e em vão. Que tenha a textura do vento, que me preencha na totalidade e me faça ver um futuro exuberante. Um mundo na sua plenitude espiritual, completo, complexo e integralmente repleto de amor. Depois de tudo esticaria os meus braços e espreguiçar-me-ia satisfeita de ter feito um bom trabalho e de ter seguido em frente.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Criar espaços!?
Eu não gosto de chorar. Hoje reparei que não tenho chorado. Arrasto os meus dramas numa corrente invisível. Na velha caixa de lembranças sufoquei a saudade. Tranquei e coloquei a chave no ponto mais alto sobre as cortinas amarelas do meu quarto. Agora só me falta esquecer. Mas sinto-me calada por dentro, uma floresta sem o som dos passarinhos, no silêncio absoluto, só consigo sentir a terra húmida e cheia de raízes, lá todos estão assustados. A propósito, depois de um dia opaco de densidade duvidosa, olho para dentro e não te vejo mais. No vazio, o ecoar das batidas secas. O coração adormece e os olhos permanecem esgueirados, estão fixos na lembrança que traz a tua voz clara. E as minhas arestas estremecem como as cordas de uma guitarra. A pressão do ar rarefeito, o sufoco, a surdez absurda. Sinto-me obtusa, a solução é esticar-me, criar espaços entre as juntas para ver se a dor passa e o meu pensamento vira sonho ou se transforma noutro.
A solução será criar espaços maiores entre as juntas ou conseguir algo que as fixe bem?
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Como eu disse..
Foi tudo um engano, um palpite mal acertado, éramos parte de uma história que nós mesmos inventamos em busca da possibilidade de viver um grande amor, de dizer palavras encantadas, de nos tornarmos um só, sem margens nem más lembranças, apenas sermos o fogo latente que consome e que nos torna algo incrivelmente lindo e simplesmente inesquecível, o amor.
sábado, 21 de setembro de 2013
Um azul suave
Eu via-te noutro tom, era um azul tão suave que os pássaros cantavam sempre ao alvoroçar e partir. Eu via-te amplo, claro, iluminado. Eu sorria quando ouvia a tua voz sussurrar nos meus ouvidos, as ideias eram claras na minha mente e o futuro uma imagem linda perfeitamente nítida em alta resolução. É incrível como uma única atitude tua pôde ser tão devastadora, capaz de escurecer o mundo e torcer completamente o meu ângulo de visão. De repente, somos acometidos pela miopia, febre, tremores e desatino mental. Por muito pouco, tu deixaste que a tua arrogância e falta de noção acabassem com a única coisa capaz de suprir a tua dor.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Acreditar
É tão engraçado como a vida se vai ajeitando. Sozinha. Como se de repente, tudo voltasse ao seu devido lugar. Seja fora ou dentro de mim. Todo o caos acalma-se. Lentamente, a saudade e a dor vão passando. As mágoas vão-se dissolvendo e num belo dia acordamos com a certeza de que tudo vai melhorar a partir dali. E melhora. De repente sinto-me livre, leve, sem nenhuma corrente. Volto a sentir a brisa da manhã a causar-me arrepios, o sol a invadir espaços onde outrora existia escuridão. Sinto o ar a encher os pulmões, o coração a bater, vivo. Estou viva de novo. E quando menos se espera, estamos simplesmente a seguir em frente. Porque apesar de tudo, não deixamos de acreditar, de ter esperança e isso é o que importa.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Amar porra nenhuma
Lembro-me como se fosse hoje …
De todas aquelas promessas verdadeiras que me fazias, mas que após um tempo não passaram de meras palavras, iludiste-me, tiveste o pior dom, o de me magoar, de me enviar palavras que nunca pensei que fossem sair da tua mente, muito menos da tua boca, agrediste-me emocionalmente. Querias que cedesse mais uma vez, que fosse fraca, voltasse a rebaixar-me e a fazer tudo por tudo para te ter de volta, mas já não era a minha vez. Já não era a minha vez de sofrer e fazer esse tudo, porque tudo fiz, voltei a ser forte, com o coração não de gelo mas de pedra. Então fiz-te ler palavras que nunca esperaste, obtiveste respostas que não querias ou não obtiveste nenhuma. Não nasci para ser pisada por cabrão nenhum! Posso ter gostado muito muito de ti, talvez ainda goste, mas amo-me muito para me acobardar, submeter e tolerar as tuas "exigências". Felizmente, já estou calejada e espero sempre o pior dos outros, ainda assim, a vida ensina-nos e quer o nosso melhor, ela ensinou-me a ficar sem ti, a habituar-me há tua ausência, a aprendizagem foi dura, mas quando eu olho para o agora, hoje, vejo que eu, mais uma vez, cresci e que tu não passas de um mero ninguém orgulhoso diante do mundo que não sabe amar porra nenhuma.
Chegámos
E ali estava eu, mais uma vez, a conversar com as paredes, com as mobílias velhas do meu quarto, com os meus dedos barulhentos e incansáveis sobre o teclado, insistentes e desesperados na busca por tantas palavras incertas para lhe dizer que chegámos ao fim. Uma corrente de ar fria foge pela janela mexendo a cortina amarela. Não, meu amor, não chegámos ao fim, tão somente e por tão pouco, uma rotina, um esquecimento, um atraso ou um adeus, foram tantos os rascunhos que me cansei de olhar nos teus olhos e ver o teu mar se esvair gota a gota por não saber onde ir ou recomeçar. São tantos "ses" que o sonho ficou distante, pobres braços infinitos e esticados não alcançam, caiem cansados junto ao meu corpo exausto e oprimido. Foram tantos, tantos versos, tantas declarações emocionadas, tantos olhos mergulhados na flacidez da pele rouca, do toque frio entupido sem fluidez. Nós chegámos ao fim, o silêncio é implacável e sufoca-nos, mastiga-nos e joga-nos sem dó nem piedade para um buraco sem arestas, nem tecto, nem fundo, só vazio, imensuravelmente vazio. E ali permaneço e lembro-me de um verso que dizia à uns dois anos, que o amor é eterno enquanto dura. Será que todo o fim tem que ser uma despedida? Eu não quero ir embora, só quero cessar esta dor que não cala, que habita a cada canto, a cada pausa, que me retira o ar e não me deixa respirar.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
One day..
One of these days i'll find one person that i'm going to settle down with. He will make me change my bad habits, and what i value the most. I'm going to want to spend every moment with this person and i'll do things with him that i never though i would ever do. It's not being "whipped", it's swallowing my pride and breaking my old ways for someone that i feel is worth it.
Faíscas
Quando nós choramos, já não sabemos nem o que dói ao certo. Ontem era saudade, hoje é dúvida, na semana passada era angústia e amanhã, quem sabe, deva ser solidão. Ah, tantos motivos para entristecer e chover esta tempestade de todos os dias! E no meio destas tristezas, parece que fazemos um negócio qualquer pela felicidade, pagamos qualquer preço e aceitamos qualquer desafio. Apesar dos choros e lamurias, existe um facto: somos eternas faíscas de felicidade a querer virar fogo.
