E ali estava eu, mais uma vez, a conversar com as paredes, com as mobílias velhas do meu quarto, com os meus dedos barulhentos e incansáveis sobre o teclado, insistentes e desesperados na busca por tantas palavras incertas para lhe dizer que chegámos ao fim. Uma corrente de ar fria foge pela janela mexendo a cortina amarela. Não, meu amor, não chegámos ao fim, tão somente e por tão pouco, uma rotina, um esquecimento, um atraso ou um adeus, foram tantos os rascunhos que me cansei de olhar nos teus olhos e ver o teu mar se esvair gota a gota por não saber onde ir ou recomeçar. São tantos "ses" que o sonho ficou distante, pobres braços infinitos e esticados não alcançam, caiem cansados junto ao meu corpo exausto e oprimido. Foram tantos, tantos versos, tantas declarações emocionadas, tantos olhos mergulhados na flacidez da pele rouca, do toque frio entupido sem fluidez. Nós chegámos ao fim, o silêncio é implacável e sufoca-nos, mastiga-nos e joga-nos sem dó nem piedade para um buraco sem arestas, nem tecto, nem fundo, só vazio, imensuravelmente vazio. E ali permaneço e lembro-me de um verso que dizia à uns dois anos, que o amor é eterno enquanto dura. Será que todo o fim tem que ser uma despedida? Eu não quero ir embora, só quero cessar esta dor que não cala, que habita a cada canto, a cada pausa, que me retira o ar e não me deixa respirar.
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