Sinto-me um subúrbio de insegurança. Não consigo desprender-me do passado ou do futuro. Como se estivesse presa, morta. Não tento viver do presente. Não vejo nenhuma luz ao fundo do túnel e nem sinto as lágrimas brotarem mais. Os meus ossos comportam-se como se fossem de borracha e qualquer toque faz-me estremecer. Não me encontro em ninguém. Não vejo sinais no íntimo de nenhum corredor. Tiraram-me o prazer de abrir uma porta. Tudo é tão monótono. Tão automático. Eu gostava de viver uma ilusão, compartilhar das alegrias e não me sentir a cair em todos os sonhos que tenho. É tudo uma ilusão, meu amigo. E nós somos a mentira que vive despertando a queda de cada um. Mas ainda estamos aqui. Ainda estamos de mãos dadas. Em toda esta vida, tudo o que precisamos é de mãos dadas. Todos os meus medos, todas as minhas mentiras, tudo se desprende quando as nossas mãos estão dadas. Eu vomito penitências. Tento ser alguém, viver por alguém ou contar com alguém. Procuro companhia em saídas de quintas à noite. Mas nada disso me importa. As palavras assim que brotaram, caíram. Eu tentei desistir destes sonhos. Tentei não me importar. Mas tudo que eu gostava era ter as nossas mãos dadas de novo, juntas, vivas.
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